sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Biografia Aluno

2012/2013

Os alunos para preencherem a ficha biográfica devem clicar na respetiva turma.






terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tudo o que faço ou medito

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço.

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
Fernando Pessoa, Cancioneiro

Depois de leres atentamente o poema, responde com correcção às questões.

1. Na primeira estrofe evidencia-se uma oposição entre o “querer” e o “fazer”. Explicita essa oposição.

2. Identifica os sentimentos que dominam o sujeito poético e refere a(s) causa(s) dos mesmos. Justifica a tua resposta com elementos textuais.

3. Atenta nos seguintes versos:
Minha alma é lúcida e rica, / E eu sou um mar de sargaço.

3.1. Identifica o(s) recurso(s) estilístico(s) presente(s) e comenta a sua expressividade.

4. Atenta nos versos: “Um mar onde bóiam lentos / Fragmentos de um mar de além...”.
4.1 - Explica o sentido dos versos apresentados, explicitando em que medida podem contribuir para atenuar o pessimismo do sujeito poético.
4.2 - Salienta a expressividade do vocábulo sublinhado em Pessoa.

5. Faz a análise formal do poema (estrofe, métrica e rima).


Após a realizção do questionário, verifica a correcção do teu exercício, tendo em conta esta proposta de correcção.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Não sei quantas almas tenho.

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que eu sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu"?
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

Nota: Para compreenderes melhor este poema, deixo aqui uma apresentação com a análise textual.

Não sei se é sonho, se realidade,

Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do Sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali,
A vida é jovem e o amor sorri.

Talvez palmares inexistentes
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou de pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.

(extraído de Obra essencial de Fernando Pessoa,
Poesia do Eu, Assírio & Alvim)

Nota: Para compreenderes melhor este poema, deixo aqui uma apresentação com a análise textual.

terça-feira, 16 de março de 2010

O MOSTRENGO - Mensagem

O MOSTRENGO

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»
                                                                                     
          Fernando Pessoa in Mensagem

 Tópicos de análise:
1.    Simbologia do mostrengo;
2.    Importância do “homem do leme”: a concepção de herói que lhe está subjacente; a missão que assume; a representatividade como herói colectivo;
3.    Simbologia do número três;
4.    Estrutura narrativa e tom épico do poema;
5.    Figuras de estilo;
6.    Análise comparativa entre este poema e o Adamastor (caracterização de ambos, atitude do Homem face ao desconhecido, atitude do “monstro” face aos portugueses, reacção do “homem do leme” e de Vasco da Gama, desfecho).

Nota: Podes confrontar as tuas respostas com as seguintes orientações de correcção.

terça-feira, 9 de março de 2010

MENSAGEM - Simbologia

A Mensagem reparte-se em dois vectores:
ü      busca ôntica – procura da essência da lusitanidade e definição da nossa idiossincrasia
ü      inquirição – questionação do mesmo histórico a seguir e a fazer seguir como projecto nacional colectivo
Pessoa é um exemplo desta obsessão nacional – a espera de um Messias.
A história de Portugal não oferece problemas à elaboração de um mito nacional. Ela está cheia de elementos e contém já um grande mito, o sebastianismo. Pessoa distinguiu o seu sebastianismo, apelidando-o de racional. O regresso de D. Sebastião é associado ao aparecimento do Quinto Império. Pessoa abandona os Impérios materiais para elaborar impérios espirituais – Grécia, Roma, Cristandade, Europa pós-renascentista e, agora, Portugal. O Quinto Império já estava escrito nas trovas do Bandarra e nas quadras do Nostradamus. O nacionalismo tradicional é superado por um nacionalismo cosmopolita.
Pessoa, criador do fundo e da forma do mito, anuncia-se como um supra Camões. A realidade é activada pelo Mito (força catalizadora).
O sebastianismo é um mito nacional de tipo religioso.
«D. Sebastião voltará, diz a lenda, por uma manhã de névoa, no seu cavalo branco...»
O sebastianismo, fundamentalmente, o que é? É um movimento religioso, feito em volta duma figura nacional, no sentido dum mito. No sentido simbólico D. Sebastião é Portugal: Portugal que perdeu a sua grandeza com D. Sebastião, e que só voltará a tê-la com o regresso dele, regresso simbólico ( como, por um mistério espantoso e divino, a própria vida dele fora simbólica ( mas em que não é absurdo confiar. D. Sebastião voltará, diz a lenda, por uma manhã de névoa, no seu cavalo branco, vindo da ilha longínqua onde esteve esperando a hora da volta. A manhã de névoa indica, evidentemente, um renascimento anuviado por elementos de decadência, por restos da Noite onde viveu a nacionalidade.
ü      D. Sebastião não morreu porque os símbolos não morrem. O desaparecimento físico de D. Sebastião proporciona a libertação da alma portuguesa.
ü      D. Sebastião aparece cinco vezes explicitamente na Mensagem (uma vez nas Quinas, outra em Mar português e três vezes nos Símbolos).
Aliás, pode mesmo dizer-se que o Brasão e o Mar português são a preparação para a chegada do Encoberto, na sua qualidade de Messias de Portugal.
ü      D. Sebastião faz uma espécie de elogio da loucura (condenação da matéria e sublimação do espírito)
O três é um número que exprime a ordem intelectual e espiritual (o cosmos no homem). O 3 é a soma do um (céu) e do dois (a Terra). Trata-se da manifestação da divindade, é a manifestação da perfeição, da totalidade.
O sete assume também uma extrema relevância, senão vejamos, sete foram os Castelos que D. Afonso III conquistou aos mouros, sete são os poemas de Os Castelos .
O sete corresponde aos 7 dias da criação, assim como as 7 figuras evocadas são também as fundadoras da nacionalidade (Ulisses fundou Lisboa, Viriato uma nação, Conde D. Henrique um Condado, D. Dinis uma cultura, D. João uma dinastia, D. Tareja e D. Filipa fundaram duas dinastias). Pessoa manteve na sua obra a ideia do número sete como número da criação.
O sete é o número da perfeição dinâmica. É o número de um ciclo completo.
O sete articula-se com o quatro. Os 7 protagonistas de Os Castelos vêm dos 4 cantos do mundo (França, Inglaterra, Ibéria e Grécia). Note-se que cada período lunar tem 7 dias e existem 4 fases que fecham o ciclo. Perpassa a ideia de algo que se completa, de um ciclo que se fecha. O sete é um símbolo de totalidade, de união do feminino com o masculino. Consciente dessa tradição, Pessoa divide o 7 em duas partes – D. João, o primeiro e D. Filipa de Lencastre, ou seja, o animus e a anima, o yin e o yang, o Adão e Eva, o Sol e a Lua.
O cinco está ligado às chagas de Cristo, às Quinas e aos cinco impérios sonhados por Nabucodonosar. Os quatro impérios já havidos foram a Grécia, roma, a Cristandade e a Europa pós-renascentista. Se o 5º império fosse material, Pessoa não teria dúvidas em apontar Inglaterra, mas como o 5º Império é o do ser, da essência, do imaterial, o poeta não tem dúvidas em apontar Portugal.
Se o sete é o número da perfeição, o três da divindade, o cinco é o número da evolução espiritual do homem.
Pessoa escolheu cinco mártires da nação para corresponderem às cinco quinas (D.Duarte, D. Pedro, D. Fernando, D. João e D. Sebastião). O Brasão está dividido em 5 partes, tantas quantas as partes do nosso símbolo heráldico – Campos, Castelos, Quinas, Coroa e Grifo).
N’Os Lusíadas as quinas representam os cinco reis vencidos por D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique.
O doze assume relevância na segunda parte da Mensagem - Mar Português. Doze são os poemas de Mar Português , 12 eram os discípulos de Cristo, 12 os Cavaleiros da Távola Redonda, 12 os meses do ano, 12 os signos do zoodíaco. O número 12 é o número da acção. Nesta parte da Mensagem, Portugal está fundado na vida activa (a posse dos mares).
O oito é o número das pontas da Cruz da Ordem de Cristo, a cruz que as caravelas ostentavam. Oito letras tem Portugal e oito letras tem Mensagem.

Nota: Para complementar o estudo da Mensagem de Fernando Pessoa, aqui ficam alguns diapositivos.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ricardo Reis - Vem sentar-te comigo, Lídia...


Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
      (Enlacemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
      E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimentos demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
      E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
      Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
      Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
      Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
      Pagã triste e com flores no regaço.

"Odes" de Ricardo Reis 


Nota: Se clicar aqui, tem acesso a uma apresentação com a análise textual do poema.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Alberto Caeiro - Compreensão Escrita

Leia com atenção o poema que se segue e responda correctamente ao questionário.


XX

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, in Poesia, Lisboa, Assino & Alvim, 2001


Apresente, de forma estruturada, as suas respostas ao questionário:

1. Explicite as relações de sentido estabelecidas pela sintaxe e uso das conjunções entre os versos da primeira estrofe.
2. Interprete a ironia expressa nos versos 5, 6 e 7.
3. Caracterize o «Tejo» e o «rio da minha aldeia», evidenciando as diferenças entre eles.
4. Refira a importância que toma o verso livre no poema.
5. Comente a importância da última estrofe na construção do sentido geral do texto.


Nota: Para confrontares as tuas respostas acede à proposta de correcção.


Alberto Caeiro - Compreensão Escrita

Leia com atenção o poema que se segue e responda correctamente ao questionário.

VII

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...


Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, in Poesia, Lisboa, Assino & Alvim, 2001


Apresente, de forma estruturada, as suas respostas ao questionário:

1. "Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura..."
1.1. Partindo dos versos transcritos, caracterize o sujeito poético.
1.2. Mostre como a concepção do Universo é determinada pela imagem que o sujeito poético tem de si próprio.
2. Explicite a oposição entre a "aldeia" e a "cidade" expressa no texto.
3. Comente a importância do acto de "ver" para a apreensão da realidade.
    Ilustre a sua resposta com expressões do poema.
4. Explique a expressividade da metáfora presente no verso 7: "Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave".
5. Identifique e aprecie o valor do deíctico presente na segunda estrofe.
6. Aprecie o valor expressivo da construção dos dois últimos versos do poema.

Nota: Para confrontares as tuas respostas acede à proposta de correcção.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Alberto Caeiro - Compreensão

Após o estudo de Alberto Caeiro, testa os teus conhecimentos, acedendo e resolvendo esta ficha de aplicação de conhecimentos.



   Nota: Para confrontares as tuas respostas acede às propostas de correcção aqui.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Deícticos de tempo

Podem considerar-se deícticos de tempo expressões como «Às seis horas da tarde» ou «durante a manhã»?

1. Os deícticos de tempo assinalam marcos de referência temporal que têm o sujeito que fala como eixo central de referência.
1.1. Convém lembrar que os deícticos opõem-se a lexemas de conteúdo semântico-referencial estável porque de cada vez que são usados referenciam objectos e entidades renovados, em função do contexto situacional em que são activados. Não sabemos o que referenciam as palavras eu – tu – aqui – agora – hoje – ontem – anteontem – assim – isto fora da situação de enunciação única e irrepetível em que são activadas. De notar que o mesmo se passa com a referenciação temporal visada nos morfemas da flexão verbal: estudei – estudo – estudarei referenciam um tempo anterior, simultâneo ou posterior relativamente ao momento do eu que fala. Estas questões não se colocam quando tratamos do conteúdo semântico-referencial de unidades lingu[ü]ísticas como sábado, época, pessoa, desajeitadamente (palavras de conteúdo referencial estável e permanente).

2. Muitos deícticos temporais são adverbiais, mas nem todos os adverbiais temporais são deícticos.
2.1. São considerados adverbiais de tempo quer os advérbios de tempo (ontem, cedo), quer os grupos preposicionais (em cinco minutos; de tarde), quer os grupos nominais (esta manhã; certo dia), quer ainda orações temporais («antes de saírem») (ver Mateus et al., 2003 – Gramática da Língua Portuguesa, Lisboa, Caminho: 166-167). Os adverbiais podem incorporar, ou não, deícticos, e em função disso terão, ou não, uma função referencial deíctica:

«Na madrugada do 25 de Abril, Salgueiro Maia saiu do quartel de Santarém.» [adverbial de referenciação não deíctica/objectiva]

«Tive um pesadelo nesta madrugada.» [adverbial de referência deíctica/subjectiva]

3. «Às seis horas da tarde» é um adverbial expresso por um grupo preposicional; não é um deíctico porque a sua referência é cronológica e, portanto, objectiva, independente das circunstâncias temporais de quem profere essa determinação de tempo;
– «durante a manhã» é um adverbial expresso por um grupo preposicional que pode ter valor referencial deíctico ou não, dependendo do modo de enunciação que estiver em causa:

«Na madrugada do 25 de Abril, Salgueiro Maia saiu do quartel de Santarém. Durante a manhã, Lisboa vai-se enchendo de sons e cores.» – referência não deíctica/objectiva

«Não me apetece almoçar: estou enjoada e não fiz nada de jeito durante a manhã.» (vale como «durante esta manhã»)

Alberto Caeiro - Biografia

«Ignorante da vida e quase ignorante das letras, quase sem convívio nem cultura...»
Alberto Caeiro da Silva nasceu em Lisboa a (...) de Abril de 1889, e nessa cidade faleceu, tuberculoso, em (...) de (...) 1915. A sua vida, porém, decorreu quase toda numa quinta do Ribatejo (?); só os últimos meses dele foram de novo passados na sua cidade natal. Ali foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro intitulado O Guardador de Rebanhos, os do livro, ou o quer que fosse, incompleto, chamado O Pastor Amoroso, e alguns, os primeiros, que eu mesmo, herdando-os para publicar, com todos os outros, reuni sob a designação, que Álvaro de Campos me sugeriu bem, de Poemas Inconjuntos. Os últimos poemas, a partir daquele numerado (.. ), são porém produto do último período da vida do autor, de novo passado em Lisboa. Julgo de meu dever estabelecer esta breve distinção, pois alguns desses últimos poemas revelam, pela perturbação da doença, uma novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra, assim em natureza como em direcção.
A vida de Caeiro não pode narrar-se pois que não há nela de que narrar. Seus poemas são o que houve nele de vida. Em tudo mais não houve incidentes, nem há história. O mesmo breve episódio, improfícuo e absurdo, que deu origem aos poemas de O Pastor Amoroso , não foi um incidente, senão, por assim dizer, um esquecimento.
A obra de Caeiro representa a reconstrução integral do paganismo, na sua essência absoluta, tal como nem os gregos nem os romanos, que viveram nele e por isso o não pensaram, o puderam fazer. A obra, porém, e o seu paganismo, não foram nem pensados nem até sentidos: foram vindos com o que quer que seja que é em nós mais profundo que o sentimento ou a razão. Dizer mais fora explicar, o que de nada serve; afirmar menos fora mentir. Toda obra fala por si, com a voz que lhe é própria, e naquela linguagem em que se forma na mente, quem não entende não pode entender, e não há pois que explicar-lhe. É como fazer compreender a alguém um idioma que ele não fala.
Ignorante da vida e quase ignorante das letras, sem convívio nem cultura, fez Caeiro a sua obra um progresso imperceptível e profundo, como aquele que dirige, através das consciências inconscientes dos homens, o desenvolvimento lógico das civilizações. Foi um progresso de sensações, ou, antes, de maneiras de as ter, e uma evolução íntima de pensamentos derivados de tais sensações progressivas. Por uma intuição sobre-humana, como aquelas que fundam religiões, porém a que não assenta o título de religiosa, por isso que repugna toda a religião e toda a metafísica, este homem descreveu [??] o mundo sem pensar nele, e criou um conceito do universo que não contém uma interpretação. [?]
Pensei, quando primeiro me foi entregada a empresa de publicar estes livros, em fazer um largo estudo crítico e excursivo sobre a obra de Caeiro e a sua natureza e natural destino. Porém não pude fazer estudo algum que me satisfizesse.
Pesa-me que a razão me compila a dizer estas nenhumas palavras (este pouco de palavras) ante a obra do meu Mestre, de não poder escrever, de útil ou de necessário, mais que disse, com o coração, na Ode (...) do Livro I meu, com a qual choro o homem que foi para mim, como virá a ser para mais que muitos, o revelador da Realidade, ou, como ele mesmo disse, «o Argonauta das sensações verdadeiras» — o grande Libertador, que nos restituiu, cantando, ao nada luminoso que somos, que nos arrancou à morte e à vida, deixando-nos entre as simples coisas, que nada conhecem, em seu decurso, de viver nem de morrer; que nos livrou da esperança e da desesperança, para que nos não consolemos sem razão nem nos entristeçamos sem causa; convivas com ele, sem pensar, da necessidade objectiva do Universo.

Dou a obra, cuja edição me foi cometida, ao acaso fatal do mundo. Dou-a e digo:

Alegrai-vos, todos vós que chorais na maior das doenças da História!
O grande Pã renasceu!

Esta obra inteira é dedicada
por desejo do próprio autor
à memória de
Cesário Verde.

s.d.

Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1996.
 - 329.

Prefácio a Caeiro

Pessoa Revisitado

Ao clicares aqui vais encontrar vários textos de Eduardo Lourenço sobre Fernando Pessoa. Explora alguns links relacionados com a temática da heteronímia em Fernando Pessoa.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Texto Argumentativo

Quando usamos a argumentação?
No nosso quotidiano usamos constantemente a linguagem: das conversas entre amigos às intervenções nas aulas, das pequenas mensagens SMS aos trabalhos escolares, a língua é o instrumento permanentemente usado. E se é verdade que a maior parte desses actos de comunicação tem um carácter informativo, não é menos verdade que um bom número deles tem um carácter argumentativo. Quando queremos defender um ponto de vista, quando apresentamos a nossa opinião, quando propomos uma solução para um problema ou quando queremos convencer os outros a aceder a um pedido nosso, temos que argumentar. Na verdade, pensando bem, argumentamos muito e muito frequentemente.
Por vezes enfrentamos a oposição dos outros e então temos que argumentar ainda melhor para os convencer. E argumentar bem é um acto de inteligência que, para ser eficaz, tem as suas regras.

O que é argumentar?
Argumentar é, pois, expressar uma convicção, um ponto de vista, que é desenvolvido e explicado de forma a persuadir o ouvinte/leitor. Para isso, é necessário que apresentemos um raciocínio coerente e convincente, baseado na verdade, e que influencie o outro, levando-o a pensar/agir em conformidade com os nossos objectivos.

Argumentar é o mesmo que persuadir?
Argumentar é persuadir racionalmente, mas nem toda a persuasão é racional. Há a persuasão emocional, muito usada, por exemplo, em publicidade. (Quando um anúncio publicitário nos convence a comprar um determinado produto, não pelas qualidades desse produto que responde a necessidades nossas, mas porque, ao associar essa marca a um determinado padrão de vida, nos leva a crer que adquirindo aquele artigo passaremos a usufruir desse padrão de vida). A diferença entre a persuasão racional e a emocional reside no facto de, na primeira, se fazer apelo à razão, enquanto na segunda, se apelar a desejos, sentimentos, medos, emoções, frustrações.

O que é um texto argumentativo?
O texto argumentativo é, então, o que visa convencer, persuadir ou influenciar o ouvinte/leitor, ao qual se apresenta um ponto de vista - uma tese - cuja veracidade se demonstra e prova. Como? Começando por apresentar a tese, a partir da qual se desenvolve o raciocínio, a argumentação, constituída por um conjunto de argumentos logicamente encadeados, sustentados em provas e, normalmente, ilustrados e credibilizados por exemplos. E o que é um argumento? Argumento é uma quantidade de informação ou de dados organizados - as premissas - que sustentam o ponto de vista e conduzem à conclusão da veracidade da tese que se pretende defender.

Quando temos que construir um texto argumentativo?
Na vida escolar, na vida profissional, e no exercício da nossa cidadania, precisamos, com frequência, de elaborar textos argumentativos.
A dissertação, o comentário, a exposição escrita, mas também um simples artigo de opinião ou uma critica de cinema ou de música exigem a elaboração de um texto argumentativo bem estruturado, segundo um esquema lógico. Do mesmo modo, a intervenção num debate ou numa reunião, uma campanha para a associação de estudantes, um discurso político ou uma alegação judicial obrigam a uma construção argumentativa muito cuidada.

Como se constrói um texto argumentativo?

I - Estrutura do texto / Progressão temática
1. Introdução - Parágrafo inicial no qual se apresenta a proposição (tese, opinião, declaração). Deve ser apresentada de modo afirmativo, claro e bem definido, sem referir ainda quaisquer razões ou provas.
2. Desenvolvimento - Análise/explicitação da proposição apresentada; apresentação dos argumentos que provam a verdade da proposição: factos, exemplos, citações, testemunhos, dados estatísticos.
3. Conclusão - Parágrafo final, no qual se conclui com uma síntese da demonstração feita no desenvolvimento.

II - Escolha e ordenação dos argumentos
Para uma correcta construção argumentativa, é fundamental a escolha dos argumentos que suportam a demonstração da verdade da tese. Eles devem ser pertinentes e coerentes, apresentados de forma lógica e articulada. Assim deve-se:
        . encontrar os argumentos adequados;
        . recorrer, sempre que possível e desejável, à exemplificação, à citação, à analogia, às relações causa-efeito;
        . organizar os argumentos por ordem crescente de importância, do menos para o mais importante.

III - Adequação do texto ao objectivo e ao destinatário
A construção de um texto argumentativo deve ter em conta a sua finalidade e também o leitor/ouvinte ao qual se destina (para informar, convencer, emocionar). Deve, pois:
        . usar um registo adequado à situação e ao destinatário;
        . utilizar referências de conteúdo que o destinatário possui, de forma a que este o possa interpretar correctamente.

IV - Articulação e progressão do discurso
O texto deve apresentar-se como um todo coeso e articulado, através do estabelecimento de uma rede de relações lógicas entre as palavras, as frases, os períodos e os parágrafos que o constituem. Deve, além disso, recorrer a processos de substituição, usando palavras ou expressões no lugar de outras usadas anteriormente. Deve igualmente corresponder à construção de um raciocínio que se vai desenvolvendo gradualmente. Estas características são conseguidas através da correcta utilização e combinação dos elementos linguísticos do texto:
        . correcta estruturação e ordenação das frases;
        . uso correcto dos conectores do discurso;
        . respeito pelas regras de concordância;
       . uso adequado dos pronomes que evitam as repetições do nome;
       . utilização de um vocabulário variado, com recurso a sinónimos, antónimos, hiperónimos e hipónimos.
A progressão e articulação do texto é conseguida sobretudo através do uso de conectores ou articuladores do discurso que vão fazendo progredir o texto de uma forma coerente e articulada.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Contrato de Leitura

Neste documento, constam todos os pontos que devem ser visados no contrato de leitura do 12º ano. Não se esqueçam de escrever com clareza, objectividade e correcção.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Compreensão Escrita

    Após o estudo de Fernando Pessoa ortónimo, testa os teus conhecimentos, acedendo e resolvendo esta fichas de aplicação de conhecimentos (uma das fichas é de verdadeiro/falso e a outra é de escolha múltipla).

   Nota: Para confrontares as tuas respostas acede às propostas de correcção (verdadeiro/falso e escolha mútipla).

Modernismo

1. Movimento Orpheu (Primeiro Modernismo)

Fernando Pessoa, educado na África do Sul sob influência da cultura inglesa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor, que beberam em Paris as últimas novidades literárias e plásticas do Futurismo e de outras correntes modernas, por alturas da Primeira Grande Guerra (1914 - 1918), lançaram em Portugal o movimento modernista. António Botto e Luís de Montalvor são também nomes de vulto do primeiro Modernismo.
O grande motor de arranque do movimento foi a revista Orpheu, de que saíram dois números apenas (1915). Outras revistas se lhe seguiram, divulgadoras da mesma mensagem artística: Centauro (1 número), Portugal Futurista (1 número), Contemporânea (13 números - 1922-33) e Athena (5 números - 1924-25).
Os homens deste movimento modernista escandalizaram e assustaram os intelectuais e a sociedade "bem pensante" da época, tal a sua inclinação para o desprezo do bom senso, com tendências que evolucionavam do sentir sebastianista mais delirante até às ciências ocultas e à astrologia.
O que se pretendia era escandalizar. Os dois números do Orpheu surgiram mesmo "para irritar o burguês, para escandalizar, e alcançaram o fim proposto, tornaram-se alvo das troças dos jornais". Era assim que se procedia à maior reviravolta da literatura portuguesa.
Pessoa e os outros sentiam-se entediados pelos seus contemporâneos. O repúdio do espírito da Renascença Portuguesa, em que pontificava Teixeira de Pascoaes, foi o primeiro efeito desse tédio.
"Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas".
As tendências do primeiro Orpheu evolucionaram do Decadentismo-Simbolismo até ao Modernismo sensacionista de Álvaro de Campos.
O Futurismo e o Sensacionismo devem-se, em Portugal, aos homens mais influentes do movimento Orpheu: Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro.
O Futurismo, lançado na Europa sobretudo pelo poeta italiano Marinetti, é representado em Portugal pelos seguintes textos e autores: "Ode Triunfal" (1914) e "Ultimatum" (1917) de Álvaro de Campos; "Manucure" e "Apoteose" (1915) de Sá-Carneiro; "A Cena do Ódio" (1915), "Manifesto Anti-Dantas" (1916) e "Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Séc. XX" (1917) de Almada Negreiros.
Ao mesmo tempo que se mostravam demolidores dos sistemas ideológicos tradicionais, estes homens impunham também um conceito novo de arte, substituindo o conceito de Belo (imitação harmoniosa da Natureza), herdado da velha "estética aristotélica". Queriam uma estética que espelhasse o mundo progressivo do futuro, uma estética dinâmica e agressiva.
Daí a defesa de uma autêntica liberdade da escrita, com recurso ao verso livre e aos atropelos morfossintácticos, às metáforas e imagens arrojadas, um estilo que destrua o EU, isto é, toda a psicologia, na literatura, voltando-se para o mundo da técnica, o estilo da força física, do mecanismo e da própria violência. "Queremos na literatura a vida do motor".
O Primeiro Modernismo apresenta-se primeiramente como um movimento artístico post-simbolista. Fernando Pessoa e Luís de Montalvor representam ainda, no princípio, um Simbolismo intelectualizado que contrasta com o Futurismo de Almada Negreiros, cultor de um certo primitivismo ingénuo, revelado, por exemplo, no seu romance Nome de Guerra.

 

2. Movimento Presença (Segundo Modernismo)

A revista Presença, nascida em Coimbra em 1927, lança o movimento do segundo Modernismo. Muitas vezes se insistiu no aspecto contestador do movimento Presença em relação ao movimento Orpheu, mas a verdade é que todos os críticos aceitam hoje que a Presença é que mais contribuiu para a divulgação e para o enaltecimento do primeiro Modernismo, embora sendo também certo que os autores da Presença revelavam esbatimento quanto aos exageros chocantes dos homens de Orpheu.
A revista Presença foi precedida em Coimbra pelas revistas Bizâncio (1923), Triptíco (1924), em que colaborava já aquele que viria a ser o principal fundador e redactor da Presença, o grande poeta José Régio. Colaboraram com este Gaspar Simões, Miguel Torga, Branquinho da Fonseca, etc.
A Presença, sobretudo pela voz de José Régio, insistia na necessidade de uma "literatura viva", baseada na imaginação psicológica, e denotando influências de Dostoievsky, da filosofia bergsoniana e da psicanálise de Freud. Daí o falar-se muito do Psicologismo do segundo Modernismo. O que se exigia do escritor era "uma sinceridade vinda da região mais profunda, inocente e virgem do subconsciente". E nisto eram continuadores do primeiro Modernismo.
De notar que os homens da Presença se distanciaram sempre do espírito das literaturas de explícita intervenção político-social, como o Neo-Realismo.
Algumas Características do Modernismo:
  • esquecimento do passado e o propósito de construir e criar o futuro;
  • o desprezo por tudo o que é clássico, tradicional e estático (museus, academias, servilismo aos mestres, etc.);
  • repúdio de sentimentalismo pelo ingresso frenético na vida activa através da exaltação do homem de acção e simultaneamente através do repúdio do homem contemplativo;
  • culto da liberdade, da veracidade, da energia, da força física, da máquina, da violência, do perigo;
  • culto da originalidade através de uma busca incessante de expressividade máxima;
  • novo conceito de arte: deve ser a força, o dinamismo, o domínio dos outros;
  • o universalismo.

O Modernismo e os –ismos da Vanguarda

*      Modernismo – movimento estilístico em que a literatura surge associada às artes plásticas e por elas influenciada, desencadeado pela geração de Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros (Orpheu). Caracteriza-se por uma nova visão da vida, que se traduz, na literatura, por uma diferente concepção da linguagem e por uma diferente abordagem dos problemas que a humanidade se vê obrigada a enfrentar, num mundo em crise.

*       Decadentismo – corrente literária que exprime o cansaço, o tédio, a busca de sensações novas. Apresenta estreitas relações com o Simbolismo.

*  Paulismo – “palis” é a primeira palavra de “Impressões do Crepúsculo” e a que sugere a atitude estética chamada paulismo. O significado de “paul” liga-se à água estagnada, aos pântanos, onde se misturam e confundem imensas matérias e sugestões. A estagnação remete para a agonia da água, paralisada e impedida de seguir o seu curso.

*       Interseccionismo – caracteriza-se pelo entrecruzamento de planos que se cortam: intersecção de percepções ou sensações.

*       Futurismo – corrente literária que se propõe cortar com o passado, exprimindo em arte o dinamismo da vida moderna. Aqui, o vocabulário onomatopaico pretende exaltar a modernidade.

*       Sensacionismo – corrente literária que considera a sensação como base de toda a arte. Segundo Fernando Pessoa, são três os princípios do Sensacionismo:
*       Todo o objecto é uma sensação nossa.
*       Toda a arte é uma conversão duma sensação em objecto.
*       Toda a arte é a conversão duma sensação numa outra sensação.
 

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Leitura

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No âmbito dos livros e da leitura, o Plano Nacional de Leitura recomenda uma vasta lista de livros para uma leitura autónoma que podes consultar aqui.

Boas leituras.